Segundo o presidente da OAB-CE, dez servidores do Judiciário Estadual também estariam no ‘esquema’

Em entrevista coletiva, na manhã de ontem, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Secção Ceará, admitiu pela primeira vez que existiu a venda de habeas corpus e disse que advogados corruptos serão punidos

Na última segunda-feira, agentes da PF, acompanhados de um juiz federal, cumpriram mandado de busca e apreensão no gabinete do desembargador Carlos Feitosa, afastado por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Cerca de 30 advogados, cinco magistrados e dez servidores do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) estão sendo investigados pela Polícia Federal (PF), por envolvimento em um suposto ‘esquema’ de venda de alvarás de soltura, ocorrido na 2a Instância do Judiciário Estadual, conforme o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), Valdetário Monteiro. Três dias depois de dizer que iria interpelar judicialmente o desembargador Luiz Gerardo Pontes Brígido para que ele apresentasse provas objetivas, uma operação que conduziu coercitivamente vários advogados foi deflagrada pela Polícia Federal (PF).
O ex-presidente do TJCE, Gerardo Brígido, denunciou em abril do ano passado, a existência de uma rede envolvendo magistrados, advogados e servidores na venda de habeas corpus. Segundo Brígido, para liberar um preso, o valor pago pelos corruptores chegava a R$ 150 mil.
Na última segunda-feira (15), uma operação foi deflagrada no Estado, cumprindo ordens do Superior Tribunal de Justiça (STJ), resultando no afastamento do desembargador Carlos Rodrigues Feitosa, no cumprimento de dezenas de mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva de dezenas de investigados no esquema. Feitosa foi ouvido na Justiça Federal. Já outros dois desembargadores aposentados, mais de 20 advogados e servidores do TJ prestaram depoimento na sede da PF.
Ontem, em entrevista coletiva na sede da OAB-CE, Monteiro confirmou o que Brígido havia antecipado ao Diário do Nordeste, em dezembro do ano passado, quando disse que “a rede era mais extensa do que imaginávamos”. Segundo Monteiro, conversas telefônicas interceptadas pela Polícia, flagraram detentos dos presídios cearenses conversando com criminosos de outros Estados, dizendo que existia a possibilidade da venda de liminares aqui.
Diário do Nordeste