Uma década depois dos primeiros passos na disputa pelo voto, a grande rede de computadores é incorporada, definitivamente, ao dia-a-dia de candidatos, partidos e ”eleitores-seguidores”
Você perdeu o debate entre os presidenciáveis transmitido pela TV Bandeirantes, na noite da última quinta-feira? Com a Internet, isso passa a ser um pequeno detalhe. Antes, durante e sobretudo depois do encontro entre Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (Psol), o assunto “bombou” na rede. Ao ponto de, apesar de ser apenas o quarto candidato nas pesquisas de intenção de voto, o concorrente do Psol ter levado seu nome à liderança mundial nos tópicos mais populares do Twitter (twitter.com/pliniodearruda).
Assim como no twitter, acessar a caixa de e-mails é o suficiente para que o cidadão lembre-se de que o Brasil vive um processo de campanha eleitoral. Nunca antes o internauta brasileiro se viu diante de um volume tão grande de campanha político-eleitoral produzido na Internet, o que torna improvável para qualquer pessoa ter contato com essas ferramentas sem ser atingido por uma ou várias mensagens de cunho eleitoral.
Por outro lado, nunca os candidatos viram na Internet um público de potenciais eleitores tão grande e tão “acessível” através das redes sociais, o que está levando-os a usar as ferramentas que a rede mundial de computadores lhes oferece como instrumento de campanha.
O Twitter é o exemplo mais significativo. Basta lembrar que sete dos nove candidatos a presidente do Brasil têm perfil nesta rede de microblogs que está sendo vista como a grande novidade nas campanhas eleitorais de Internet em 2010.
Outra inovação na Internet em esse ano tem sido as transmissões ao vivo pela web de eventos de campanha ou entrevistas coletivas. Dilma, Serra, o senador Tasso Jereissati (PSDB) e o deputado federal Chico Lopes (PCdoB) são só alguns candidatos que já se utilizaram das transmissões on-line.
Apesar da sede com que os candidatos encaram o pote de água milagrosa que parece ser a Internet, a grande maioria deles ainda pratica uma exploração precária do palanque virtual de que dispõem – algo que se apresenta, atualmente, como o grande potencial da ferramenta.
Nas próximas páginas, O POVO mergulha no universo dos palanques virtuais para mostrar o clima da disputa que chega às telas dos computadores brasileiros.
A reportagem disseca o papel da Internet enquanto mecanismo de campanha político-eleitoral e mostra que você, caro eleitor, é protagonista nesse universo da produção e discussão de conteúdos políticos.
EMAIS
Apesar da aparente euforia com que as novas ferramentas da rede estão sendo usadas, a classe política acaba reproduzindo na Internet técnicas antigas de marketing político, que um dia funcionaram quando aplicadas em meios de comunicação tradicionais, como jornais, televisões e rádios, mas que não se mostram eficazes nos meios de comunicações inseridos na world wide web.
O diagnóstico é do marqueteiro Cláudio Torres, especialista em marketing digital e consultor do Núcleo de Inteligência Digital (iDigo, do Rio de Janeiro)..
”Essas frases na linha do ‘vote em mim’, que a gente vê em muitas campanhas na Internet, não fazem efeito algum sobre o internauta eleitor. Quem acessa a Internet não é bobinho e não lê esse tipo de expressão”, afirma.
Para os especialistas, ”os políticos, principalmente os candidatos, estão muito interessados em aprender a usar as ferramentas da Internet, mas ainda há muito amadorismo”, diz ele, citando, inclusive os assessores.
