Médicos, dentistas, enfermeiros e técnicos ou auxiliares em enfermagem são os profissionais mais atingidos pelo vírus. Ceará tem mais de 2 mil casos da doença.
Por João Lima Neto, G1 CE
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Médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde foram infectados pelo coronavírus no Ceará. — Foto: Mauricio Vieira/Arquivo/Secom |
Pelo menos 137 profissionais da área da saúde foram afastados das funções por suspeita ou confirmação de contaminação pelo novo coronavírus, até esta quarta-feira (15). De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), 28 deles já tiveram os testes positivos para Covid-19. Além disso, quatro profissionais morreram em decorrência da doença, mas a Secretaria da Saúde não forneceu informações sobre os casos específicos.
O Ceará superou a marca de 2 mil casos de Covid-19. Ao todo, foram confirmados 2.146 registros e 111 mortes, até esta quarta-feira
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Entre os profissionais que atuam diretamente no trabalho com pacientes diagnosticados com Covid-19, médicos, dentistas, enfermeiros e técnicos ou auxiliares em enfermagem são os mais atingidos pelo vírus. Os números são de um levantamento feito pela Sesa, com base em dados da Secretaria Executiva de Planejamento e Gestão Interna.
Os profissionais da saúde que já tiveram os exames confirmados para coronavírus são das seguintes funções:
8 técnicos, auxiliares ou assistentes de enfermagem
5 médicos
3 três enfermeiros
1 dentista
1 atendente de consultório dentário
1 técnico de laboratório
9 profissionais ligados em outras atividades da saúde
A Sesa também divulgou que outros 109 profissionais estão com suspeita da doença no estado. Na lista estão assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, farmacêuticos, técnicos de laboratórios e técnicos de radiologia.
Mortes por Covid-19
Entre as quatro mortes de profissionais da saúde ligados ao enfrentamento da Covid-19 está a de um maqueiro de 51 anos de idade, que trabalhava como prestador de serviços no Instituto Dr. José Frota (IJF). A morte foi confirmada nesta terça-feira pela própria unidade hospitalar.
Outro caso confirmado pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren-CE), nesta terça-feira, foi a morte de uma técnica de enfermagem ligada à rede estadual de saúde. Ela estava internada no Hospital São José, em Fortaleza, e faleceu em decorrência de complicações ocasionadas pelo coronavírus.

Médica de 66 anos morre diagnosticada com Covid-19 em Iguatu, no Ceará — Foto: Arquivo pessoal
No dia 10 de abril, uma médica morreu na cidade de Iguatu, interior do Ceará, conforme a Secretaria Municipal de Saúde. Ela ficou internada na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital São Camilo por mais de dez dias. A médica chegou a ser entubada, mas não resistiu à infecção pulmonar.
Já o Sindicato dos Médicos do Ceará (Sindimed-CE) confirmou no dia 2 de abril a morte de um médico radiologista de 43 anos em decorrência da Covid-19. O profissional morreu em decorrência de encefalite viral provocada pela infecção pelo coronavírus.
A Secretaria da Saúde do Ceará informou que não detalha mais casos específicos sobre as mortes em decorrência do coronavírus.

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O médico Edmar Fernandes, presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará (Sindimed-CE), analisa os dados com receio.
“Está caindo os soldados que estão lutando nessa guerra. São os grandes protagonistas nessa luta. É por eles que saem os diagnósticos e também a intubação de pacientes mais graves. Por isso a nossa luta pelos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Como no mundo, a expectativa é que 20% dos profissionais sejam atingidos”, explica o presidente.
Outras ações estão sendo tomadas pelo Sindimed-CE. Diante do aumento preocupante de casos de Covid-19 e a constante exposição a agentes insalubres biológicos, junto a pacientes e objetos hospitalares infectados pelo vírus SARS-CoV-2, a entidade, através da de assessoria jurídica, ajuizou, na semana passada, Ação Coletiva com Pedido de Tutela de Urgência, em face do Município de Fortaleza e do Instituto Doutor José Frota (IJF).
A classe solicitou o reconhecimento e majoração dos adicionais de insalubridade para o grau máximo, de 40%, em virtude do estado de exposição permanente dos médicos.
Na percepção de Ana Paula Brandão, presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Ceará (Coren-CE), os números dos profissionais afastados são preocupantes.
“Os enfermeiros, técnicos e auxiliares são os primeiros a receber esses pacientes. A redução desses profissionais pela doença vai diminuir o poder de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS)”.
Ana Paula Brandão conta ainda que a entidade tem uma grande preocupação com a atenção primária na capital cearense. “É onde detém o maior numero de casos e denúncias. O profissional de enfermagem que está trabalhando na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está atuando todos os itens necessários, mas quem está na atenção básica não vem recebendo os devidos cuidados”.


