CHACINA DA MESSEJANA: Denúncia é apresentada e inclui tenente-coronel e tenente

Doze promotores assinam a denúncia e o pedido de prisão preventiva para 45 policiais militares
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O Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu a prisão preventiva de um tenente-coronel, um tenente, sete sargentos, seis cabos e 30 soldados da Polícia Militar por participação na Chacina da Grande Messejana. O documento, assinado por 12 promotores, foi protocolado ontem na 1ª Vara do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua. Entre os 45 agentes, uma parte teria atuado ativamente na execução das 11 vítimas e nas lesões provocadas em outras sete em 12 de novembro do ano passado. O restante teria praticado crime de prevaricação por não impedir as execuções.
LInha do tempo da chacina - NOTÍCIAS DE PENTECOSTE
Na manhã de ontem, os promotores da 1ª Vara do Júri e do Grupo de Atuação de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que atuam no caso, tiveram uma última reunião para finalizar os últimos ajustes da denúncia, que foi entregue durante a tarde. Está prevista para a próxima semana uma entrevista coletiva com o procurador-geral Plácido Rios, que chegou ontem de Brasília. O horário e o local ainda não foram definidos pela Procuradoria Geral de Justiça (PGJ).
A expectativa agora é que a análise da denúncia pelo juiz Ely Gonçalves Júnior, da 1ª Vara, seja realizada no prazo de 20 a 30 dias. Ele decidirá se acata o pedido, tornando os acusados réus no processo, que está em segredo de Justiça.
Um preso
Como O POVO antecipou no último dia 7 de abril, 38 policiais foram indiciados pela Controladoria Geral de Disciplina (CGD) por participação na chacina. Cinco deles por prevaricação e os outros 33 por homicídio qualificado e tentativa de homicídio. O Ministério Público, porém, entendeu que as provas e indícios levantados durante o inquérito são suficientes para responsabilizar 45 agentes. 
Entre os acusados está o soldado Marcílio Costa de Andrade, que já se encontra preso no Presídio Militar da PM, desde 29 de fevereiro deste ano. Apontado como um dos pivôs da chacina, menos de um mês antes das execuções de nove adolescentes e dois adultos, conforme a CGD, Marcílio matou o adolescente Francisco de Assis Moura de Oliveira, 16, o Neném, e deu um tiro no adulto Raimundo Cleiton Pereira da Silva, no bairro Curió. 
Os crimes que envolveriam o soldado Marcílio e outros personagens, praticados em 25 de outubro do ano passado, são partes de uma história costurada por rixas, revanches e acertos de contas que culminaram com a Chacina da Grande Messejana — deflagrada após a morte do soldado Valterberg Chaves Serpa durante uma tentativa de assalto, na Lagoa Redonda na noite do dia 11 de novembro.
Marcílio foi preso pela CGD por causa do homicídio e pela tentativa de outra morte. Na época, porém, a controladoria negou que a prisão estivesse relacionada à chacina, para não comprometer as investigações.
O POVO entrou em contato, ontem, com os promotores Marcus Renan Palácio e Joseana França Pinto, da 1ª Vara do Júri de Fortaleza — lugar onde foi protocolada a denúncia e o pedido de prisão preventiva de 45 policiais militares. Nenhum dos dois quis se manifestar sobre o caso que se encontra em segredo de Justiça.
Frase
A EXPECTATIVA AGORA É QUE A ANÁLISE DA DENÚNCIA PELO JUIZ ELY GONÇALVES JÚNIOR, DA 1ª VARA, SEJA REALIZADA NO PRAZO DE 20 A 30 DIAS
Saiba mais
O número de PMs denunciados pelo Ministério Público na Chacina de Messejana, 45 homens, corresponde quase ao tamanho de um pelotão da PM. A menor unidade militar é composta por entre 20 e 50 soldados e é comandada, geralmente, por um tenente com o auxílio de um sargento. 
Há variações.
Dos 11 executados na chacina, sete foram atingidos por tiros na cabeça, de acordo com os laudos cadavéricos. Um deles teria sido ajoelhado ou estava sentado na hora em que foi assassinado. A maior parte das vítimas recebeu os primeiros disparos pelas costas. 
Dos corpos da vítimas, os peritos recolheram pelo menos 12 projéteis. Algumas perfurações seriam compatíveis com revólveres e outros com pistola. 
Das 11 vítimas, nove nunca responderam por crimes. Um tinha respondido por ameaça e outro se envolvido num delito de trânsito.
O Povo

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