A missão da Executiva do partido agora é tentar “calar” Ciro e evitar ataques a candidata petista e a Lula
Brasília (Sucursal). Como pacificar Ciro Gomes? Este é o grande dilema que o PSB sofre desde o final da tarde de ontem, quando o presidente do partido, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, confirmou oficialmente que a legenda não terá candidatura própria à Presidência da República. A decisão, contrária à candidatura de Ciro foi esmagadora dentro do PSB. Dos 27 diretórios estaduais, somente sete votaram pela candidatura do deputado cearense à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os outros 20 optaram pela via mais segura, que é apoiar a candidatura de Dilma Roussef, do PT.
Também dentro do diretório nacional a derrota de Ciro foi feia, com 21 votos contra a candidatura própria e apenas dois favoráveis.
Eduardo Campos, em entrevista coletiva após a reunião da Executiva, que durou mais de cinco horas, disse estar convicto que Ciro vai apoiar a decisão do partido. O governador pernambucano disse que Ciro recebeu a notícia com tranquilidade, mas afirmou que ele e Roberto Amaral iriam encontrar-se com Ciro ainda na noite de ontem, ou hoje pela manhã, no Rio de Janeiro, onde o deputado cearense se encontra. “A Executiva Nacional avalia como correta e consequente a participação do PSB no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E dever das forças populares contribuir para a continuidade deste projeto”, afirmou em nota a direção socialista.
“A pré-candidatura de Ciro não foi em vão. Ele é um administrador vitorioso, ministro, governador, deputado que engrandeceu o debate republicano”, afirmou Campos. Ele se recusou a explicar qual o papel Ciro terá dentro do processo eleitoral. Além do encontro com Ciro no Rio, a Executiva já marcou para terça-feira uma reunião com o Diretório Nacional do PT. “Conversei com o presidente do PT (José Eduardo Dutra) por telefone, após falar com Ciro Gomes. Marcamos uma reunião para terça-feira e depois, no dia 17 de maio, a Executiva do PSB vai se reunir novamente e deve oficialmente externar o apoio do partido à candidatura da ministra Dilma. Este é o caminho natural”, afirmou Eduardo Campos.
Ao ser indagado sobre o papel de Ciro daqui para frente e como o deputado cearense pode apoiar a candidatura de uma chapa que tem um partido com a vice-presidência, que ele classifica de “quadrilheiro”, Eduardo Campos disse que Ciro tem uma forma muito direta e franca de falar, e sempre foi assim, mas que acompanhará o partido em sua decisão.
“Não há hipótese alguma de Ciro ir para a oposição. A conversa com ele não se trata de enquadrá-lo. Se trata de dialogar, de saber ganhar e perder”. Eduardo disse ainda que não houve “barganha” para que a candidatura de Ciro fosse retirada. “Foi uma questão de visão política. As eleições não estão definidas. A aliança da oposição representa um desafio real aos socialistas e outras forças populares. O PSB está pronto para ampliar sua presença nos governos estaduais e no Senado e duplicar sua representação na Câmara”, disse Campos.
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com