
Desgaste interno, pressão de Michelle e briga familiar travam acordo que mirava o PT em 2026.
🇧🇷 A Tensão Nacional Pesa na Política Cearense
O cenário político no Ceará se tornou palco de um intenso embate dentro do Partido Liberal (PL), refletindo o desgaste interno do Bolsonarismo em nível nacional. Na última terça-feira (2), a cúpula do PL decidiu suspender as negociações para uma possível aliança eleitoral com o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (cujo partido não foi especificado, mas representa a ala do centro-esquerda/centro-direita).
A decisão, tomada após uma reunião de emergência em Brasília, coloca uma trava na estratégia que visava unir forças de diferentes espectros ideológicos — Bolsonaristas e Ciro Gomes — para formar uma chapa forte e, sobretudo, combater o Partido dos Trabalhadores (PT) no estado nas eleições de 2026.
O Veto de Michelle e a Pressão Familiar
A principal fonte de resistência e o estopim para o recuo do PL vieram de dentro da própria família Bolsonaro. A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que tem crescido como uma das principais vozes do partido, se manifestou publicamente de forma veemente contra a aliança.
O Racha em Evento no Ceará
Em um evento do PL Mulher realizado no último fim de semana em Fortaleza, Michelle criticou a aproximação, classificando-a como incoerente, dado o histórico de críticas duras de Ciro Gomes a Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama foi além e indicou um nome alternativo: o senador Eduardo Girão (Novo-CE), reforçando a busca por um candidato da direita “pura” no Ceará.
A posição de Michelle expôs um racha na articulação política. O deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente da sigla no estado e principal responsável pela aproximação com Ciro, teve que recuar, afirmando que acataria a ordem superior de “pausar e repensar” a estratégia.
O Foco: A Busca pelo “Outro Nome”
Com a suspensão das conversas com Ciro Gomes, o foco do PL agora se volta, como já antecipado por Michelle, para encontrar um nome que consiga unificar a direita cearense.
“O foco permanece em construir uma frente forte para enfrentar o PT no estado, mas agora a partir de um novo alinhamento interno”, disse uma fonte ligada ao deputado André Fernandes, confirmando que a meta principal continua sendo derrotar a hegemonia petista no Ceará.
A avaliação interna do partido, segundo fontes consultadas pela imprensa nacional, é que a aliança com Ciro Gomes não conseguiu pacificar as diferentes alas do Bolsonarismo e estava gerando mais desgaste do que ganho político. O partido busca, portanto, um nome que represente a direita conservadora e que tenha maior facilidade em angariar o apoio irrestrito do núcleo familiar de Bolsonaro.
A Reunião de Cúpula e a “Página Virada”
A decisão de suspender a aliança foi discutida e confirmada após uma reunião em Brasília que contou com a presença de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
O senador Flávio Bolsonaro, agindo como porta-voz do pai, classificou o episódio como uma “página virada” para o clã. Flávio afirmou que houve um pedido de desculpas à mãe, Michelle, por um atrito anterior que ganhou as redes sociais e que teria desencadeado parte da crise.
A cúpula do PL e a família Bolsonaro agora planejam estabelecer uma nova rotina para que todas as decisões políticas sejam tomadas em conjunto, visando blindar a sigla de novos ruídos e reforçar a imagem de Michelle Bolsonaro como uma das principais líderes da oposição no país.

