Darckson Lira: ANIMAIS POLITICOS

I
Quando Aristóteles cunhou a expressão que todos nós somos “animais politicos”, tinha em mente a idéia de que de uma forma ou de outra, todos estamos de algum modo inseridos e envolvidos nos negócios e interesses da “polis”, isto é, da cidade: nesse sentido todos somos “politikós”!
Não podemos viver em sociedade como um mero ajuntamento ocasional, sem consciência de nosso papel, justamente porque o exercício de nossa cidadania precisa ser exercido na perspectiva de que somos co-responsáveis pelo bem estar de toda a sociedade.
É aqui que precisamos nos esforçar para que cada um compreenda sua relevância, a imperiosa necessidade de participação em todos os processos que envolvem a coletividade.
Ser individuo nem sempre é ser “pessoa”, isto é, crescer como gente, ser um elemento agregador de valores, ser humano em plenitude, exercer seu papel de “persona” como um bom agente de transformação social dentro daquilo para o qual foi chamado a fazer.
Aqui envolve sentimento de “vocação”, o estar cônscio de que aquilo que faz precisa transcender o objetivo de bem estar pessoal e contribuir para que todos sejam beneficiados.
Alguns indivíduos têm bem pouca consciência de que precisam crescer como “pessoas”, e bem poucas pessoas acordam para o fato de que necessitam despertar para a necessidade de exercer sua cidadania, seus direitos e deveres para com o que é público e social!
Platão por sua vez falou da alegoria dos homens vivendo em uma caverna, vendo somente sombras de uma luz projetada no fundo dela: e nesse sentido não são muitos ainda “homens e mulheres das cavernas”?
Logo, não há nada mais ignorante e destituído de bom senso, do que a idéia de que cristãos precisam manter-se distantes de política: ora, justamente o cristão, mais que qualquer outro, tem a obrigação de envolver-se com todos os negócios da cidade, participando ativamente como “luz e sal”, lutando para que valores que ressaltem a dignidade de cada ser humano sejam cultivados e respeitados.
Na Grécia antiga, a “ekklésia” (assembléias) se reuniam, para discutir as questões da polis. É assim que vamos encontrar em Heródoto, Platão e outros, a idéia de que os cidadãos discutiam ali nas Assembléias, as questões pertinentes à vida em “polis”!
Esse termo foi escolhido para a Igreja! Fomos chamados para fora da caverna, temos a missão de trabalhar na construção do Reino que, segundo Paulo, também é Justiça, e isso implica em envolvimento.
A política como instituição, no sentido de exercício que se faz ligado a partidos, governos e outras estruturas mais específicas é apenas outro lado da questão.
É um modo de tornar aquilo que todos já fazemos – bem ou mal, gostando ou não, conscientes ou não disso – tornando organizado em leis, princípios e regras.
Existe lugar onde a política seja exercida tão forte como nas Igrejas? Por falta de esclarecimento, as pessoas mal informadas, vivem a contradição de afirmar não gostar e nem se envolver com política, quando respiram e se ocupam diariamente com ela.
A questão é tão essencial e indissociável com a própria natureza humana e modo de ser na vida, que mesmo quando alguém afirma ser “a-político” está na verdade fazendo uma opção política pelo não se envolver.
É aqui que graves erros são cometidos: porque os que afirmam não gostar e nem se envolver, findam sendo governados, usados e conduzidos pelos que, uma vez esclarecidos, se utilizam da política para explorá-los.
Espero que esse esclarecimento possa ajudá-lo a ter mais consciência do que significa como indivíduo, crescer como pessoa e exercer plenamente sua cidadania.
Afinal, seja agradável ou não aceitar, TODOS SOMOS ANIMAIS POLITICOS!
Darckson Lira.

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