Pela política nacional, a prioridade na gestão do recurso em períodos de crise é para o consumo humano
Os efeitos dos baixos volumes em rios e reservatórios atingem pelo menos cinco perímetros irrigados do Ceará. Na bacia hidrográfica do Curu, produtores e empresas agrícolas já trabalham com diminuição do uso da água vinda dos açudes desde agosto. Nas terras do Baixo Acaraú, gestores e usuários buscam soluções para que os dez dias sem água, vividos no começo deste mês, não precisem se repetir. Tabuleiro de Russas e Morada Nova também enfrentam dificuldades.
No Estado, são 14 áreas planejadas para plantio e desenvolvimento de várias culturas com gerência do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). As terras somam 39 mil hectares e são abastecidas por açudes e rios próximos.
Os reservatórios, que podem suprir a demanda de irrigação nos perímetros, estão em situação alarmante, com apenas 35,9% da capacidade total. O último ano que trouxe chuvas suficientes para recarga dos açudes foi 2009, segundo Ricardo Adeodato, diretor de operações da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh).
O biênio de 2012/2013 foi o pior para armazenar recursos hídricos em 500 anos, aponta Adeodato. A situação do próximo ano é desconhecida e requer uma gestão que evite a falta de água tanto para produtores quanto para o consumo humano. Ainda de acordo com Adeodato, não deve haver paralisação no abastecimento de água para os perímetros.
Os baixos volumes no Estado já fizeram com que os perímetros Curu-Paraipaba e Curu-Pentecoste tenham restrição para irrigar as terras. As águas do açude General Sampaio chegam com vazão menor durante 15 dias e voltam ao normal por outros 15 dias. As medidas foram propostas pela Cogerh e votadas pelos comitês das bacias hidrográficas, compostas por usuários, membros da sociedade civil e do poder público.
Segundo o presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas do Curu, Paulo Sérgio Mariz, os agricultores reclamam da redução de água, mas precisam entender que o momento exige economia. “O ideal é reduzir gastos desnecessários, como o da irrigação por inundação”, exemplifica.
No início de outubro, cerca de 600 produtores de banana, coco, mamão e outras culturas passaram dez dias sem água no perímetro Baixo Acaraú. Em reunião hoje em Sobral, o comitê deve resolver se adota medidas apresentadas pela Cogerh, como o aumento da vazão das águas que vêm do rio Acaraú. De acordo com o gerente do perímetro, Raimundo Pereira, uma das soluções é fiscalizar a retirada de água em comunidades ao longo do rio.
Situação das bacias
A Política Nacional dos Recursos Hídricos, instituída pela lei 9.443/97, determina que a prioridade do uso da água em períodos de escassez é o consumo humano e dos animais. Logo depois vem o recurso destinado às atividades industriais. Em quarto lugar vem a irrigação.
1. Araras Norte – 1.345,80 hectaresMunicípios: Varjota e Reriutaba
Fonte hídrica: açude Araras (28,3 % da capacidade)
2. Ayres de Souza – 192 hectaresMunicípio: Sobral
Fonte hídrica: açude Ayres de Souza (64% da capacidade)
3. Baixo Acaraú – 7.398,63 hectaresMunicípios: Acaraú, Bela Cruz e Marco
Fontes hídricas: açudes Araras e Edson Queiroz (42,8% da capacidade)
4. Curu-Paraipaba – 3.279 hectaresMunicípio: Paraipaba
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Fontes hídricas: açudes General Sampaio (12,2%), Frios (14,3%), Pentecoste (8,7% Caxitoré (16,3% da capacidade)
5. Curu-Pentecoste – 743 hectares Municípios: Pentecoste e São Luís do Curu
Fontes hídricas: açude General Sampaio e Pentecoste.
6. Ema – 42 hectaresMunicípio: Iracema
Fonte hídrica: açude Ema (20,7% da capacidade)
7. Forquilha – 167,60 hectaresMunicípio: Forquilha
Fonte hídrica: açude Forquilha (35,5% da capacidade)
8. Icó-Lima Campos – 2.541 hectaresMunicípio: Icó
Fonte hídrica: açudes Lima Campos (56,9%) e Orós (56,4% da capacidade)
9. Jaguaribe-Apodi – 2.834,80 hectaresMunicípio: Limoeiro do Norte
Fonte hídrica: açude Orós
10. Jaguaruana – 202 hectaresMunicípio: Jaguaruana
Fonte hídrica: açudes Orós e Banabuiú (32,1% da capacidade)
11. Morada Nova – 3.677 hectaresMunicípios: Morada Nova e Limoeiro do Norte
Fonte hídrica: açudes Banabuiú e Pedras Brancas (28,9% da capacidade)
12. Quixabinha – 293 hectaresMunicípio: Mauriti
Fonte hídrica: açude Quixabinha (11% da capacidade)
13. Tabuleiro de Russas – 10.564 hectaresMunicípios: Russas, Morada Nova e Limoeiro do Norte
Fonte hídrica: açudes Banabuiú e Pedras Brancas
14. Várzea do Boi – 313 hectaresMunicípio: Tauá
Fonte hídrica: açude Várzea do Boi (1,6% da capacidade)
O Povo