O Letras Solidárias estimula o protagonismo e a solidadariedade entre alunos e revisores. (FOTO: Arquivo Pessoal)
Alunos que necessitam redigir redações e um acompanhamento de suas produções para aprimorar o desenvolvimento no Enem, mas que não recebem a atenção devida por causa da falta de profissionais. Esse é o cenário da Escola de Educação Profissional Alan Pinho Tabosa, localizada em Pentecoste, que tem 522 alunos e apenas dois professores de Português para atender essa demanda. Pensando nisso, o professor Nonato Furtado decidiu fazer algo para mudar essa situação e criou oLetras Solidárias, um projeto onde revisores oferecem-se para corrigir as redações dos alunos do Ensino Médio.
O objetivo do projeto é contribuir com o letramento dos estudantes do ensino médio, proporcionando rendimento satisfatório na prova de redação do Enem, a partir do trabalho voluntário de revisores de textos. Ou seja, o benefício é duplo, de aprendizagem tanto para os alunos quanto para os revisores. O funcionamento do projeto depende dos articuladores Gustavo Ewerson e Bruno Ribeiro que vão até a escola de Pentecoste recolher as redações, digitalizam e as enviam para os revisores. Após a revisão, os textos corrigidos são entregues de volta aos alunos.
A ideia surgiu em 2012, quando o professor Nonato juntou um grupo de revisores e deu uma oficina de redação para os voluntários que se disponibilizaram a corrigir os textos dos alunos de Pentecoste. Em 2013, o professor de Física Bruno Ribeiro assumiu o Letras Solidárias e auxiliou na divulgação do projeto, que teve três mil inscritos. Convidou estudantes da UFC, Uece e Uva para integrarem o projeto e o número de revisores foi aumentando. Logo depois, o professor Gustavo Ewerson se disponibilizou para ser um dos articuladores junto com Bruno Ribeiro. “Os alunos ficam muito felizes porque nem conhecem os revisores e sabem que essa ajuda é fundamental para eles se saírem bem no Enem”, acrescenta Gustavo.
Já a revisora e estudantes de Letras-Português Maiara Soares apaixonou-se pelo projeto. “De início, achei uma boa oportunidade para adquirir experiência, depois me apaixonei pelo projeto e até levei a ideia para minha cidade. Ser revisor solidário é um presente, pois estou fazendo o que gosto e ajudando um estudante, ou seja, uni o útil ao agradável” , conclui.
Devido ao projeto, atualmente o número de revisores das redações é maior do que o número de alunos. Para participar da equipe de revisão é necessário ter ensino superior e boa vontade. Em 2015 o projeto alcançou a marca de 600 revisores, entre eles cearenses e pessoas de outros estados do Brasil, além de brasileiros que moram no exterior. “Eles procuram a gente e sabem que estão contribuindo, é uma satisfação muito grande. Como se trata de uma ação voluntária, quando eles não têm tempo hábil nos avisam e a gente diminuiu o número de redações. Além disso, entregamos um certificado de participação no projeto”, explica Gustavo Ewerson, um dos fundadores do Letras Solidárias.
O estudante Matheus Lessa foi um dos beneficiados com o projeto. Após tentar o Enem por três vezes, conseguiu ser aprovado em Engenharia de Computação na UFC graças à prática das redações. “Para você ter noção, no penúltimo Enem que eu fiz, antes de conhecer o projeto e ter minhas redações corrigidas semanalmente por eles, consegui 600 pontos na redação. Já no último Enem, após quase um ano de Letras Solidárias, consegui 880 na redação”, comemora.
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