Grupo luta por inclusão do autismo na sociedade

Associação Maunau tem projeto de clínica-escola formada por profissionais e parentes de autistas
Conforme a associação, ainda faltam profissionais qualificados para o atendimento de crianças com autismo
Para combater o preconceito e auxiliar na inclusão do autismo na sociedade, Fortaleza tem a Associação Maunau – Mães Unidas Pelo Autismo, que projeta uma clínica-escola formada por profissionais e familiares de autistas e outros transtornos invasivos do desenvolvimento. Entre as principais lutas, estão a aceitação da sociedade; a inclusão das crianças nas escolas regulares, com profissionais capacitados e apoio da família aos pais e mães, que muitas vezes são excluídos das atividades sociais.
A iniciativa surgiu em 2011, após a fundadora e atual diretora, Daniela Sales, se deparar com o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) do filho, na época com 1 ano e 8 meses e hoje com 6 anos. “Me vi sozinha e não conhecia nada sobre o autismo. Mesmo assim, quis ir a luta, montei uma página no Facebook e comecei a conversar com outras mães”, conta. O TEA é uma síndrome que possui níveis variados de comprometimento, afetando o desenvolvimento do ser humano em três áreas: comunicação, socialização e comportamento.
Para a fundadora, o objetivo do grupo é ajudar as famílias a entenderem e aceitarem o diagnóstico e a inclusão nas escolas. O Maunau está em processo de formalização para agir legalmente com apoio jurídico. Ela declara que algumas escolas de Fortaleza pedem aos pais que paguem por fora um profissional que acompanhe a criança. “Você fica se humilhando nas escolas detalhando o que seu filho pode ou não fazer”, relata.
No encontro promovido pela Maunau, no último dia 8, foi lançada uma espécie de cartilha, com o passo a passo do que fazer se a matrícula da criança for recusada. Para a relações públicas, fonoaudióloga e psicopedagoga da associação, Myrellene Bezerra, a maioria das escolas não capacita profissionais para acompanhar o portador do transtono autista. “O problema é o olhar para essa criança para que ela possa evoluir quando adulta. Estamos lutando por um currículo adaptado nas escolas”, explica.
Após a oficialização da associação, Daniela pretende mobilizar a sociedade e debater o direito de ir e vir dos portadores do TEA sem discriminação. Segundo ela, um estudo prevê que, no futuro, a cada duas crianças, uma será portadora. Hoje, são cerca de 40 mil a 55 mil diagnosticados no Ceará.
Encontros
Mensalmente, Daniela promove encontros, na sua casa,- que reúnem cerca de 100 pessoas, entre mães, pais e familiares. Nos eventos, o tema principal, autismo, é debatido, além da troca de informações e experiências do dia a dia das mães. “Também realizamos brincadeiras e sorteios, além da roda de conversa. Temos que fortalecer as mães de alguma forma”, diz Daniela.
A intenção do projeto é promover o atendimento multidisciplinar especializado e a capacitação de profissionais, como psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, professores de educação física e de música para que utilizem as técnicas adequadas em prol do desenvolvimento das crianças.
O objetivo também é oferecer aos indivíduos com autismo qualidade de vida, possibilidade de se desenvolverem, se tornarem autônomos e se integrarem socialmente, disponibilizando atendimento multidisciplinar ambulatorial, clínico e domiciliar, oficinas especializadas, auxilio à inclusão, suporte qualitativo às famílias, conscientização da sociedade e defesa dos direitos de pessoas com TEA.
Mais informações
Associação Maunau
Telefone: (85) 99233.6676
Facebook: Mãe Unidas Pelo Autismo – Maunau
Instagram: @associaçãomaunau

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