
A aquisição de pintinhos de um dia (aves recém-nascidas) de grandes granjas é uma prática consolidada entre os produtores rurais de Pentecoste e da microrregião do Baixo Curu. Este método visa otimizar o plantel de galinhas poedeiras, garantindo aves com bom potencial genético para a produção de ovos, que movimenta a economia familiar local. No entanto, o sucesso desta jornada depende totalmente dos cuidados intensivos nos primeiros meses de vida. Este guia detalhado, apurado junto a zootecnistas, visa garantir que a alta taxa de mortalidade inicial seja evitada e que as aves atinjam seu pico produtivo.
Fase 1: Recepção e Manejo (1º dia até 4 semanas)
Esta é a fase mais crítica, exigindo atenção redobrada à temperatura e ao ambiente, essencial para a sobrevivência do pintinho.
Ao receber os pintinhos, eles devem ser colocados em um espaço de confinamento inicial, chamado roda de pinteiro ou círculo de proteção. Segundo recomendações da Ematerce de Pentecoste, o diâmetro deve ser suficiente para 200 a 250 pintinhos, usando materiais fáceis de limpar, como chapas de metal liso ou papelão resistente.
A chave para a sobrevivência é o calor. Os pintinhos não conseguem regular a temperatura corporal. É obrigatório o uso de uma fonte de calor (geralmente lâmpadas incandescentes ou resistências elétricas, o chamado candelabro) regulada pela leitura do comportamento dos pintinhos:
Temperatura Média Recomendada
1ª Semana 32º a 35º
2ª Semana 29º a 32º
3ª Semana 27º a 29º
Comportamento Ideal: Pintinhos espalhados uniformemente sob o calor.
Atenção: Se amontoarem sob a luz, está frio. Se estiverem afastados nas bordas, está quente demais.
Nos primeiros dias, a água deve ser morna e conter eletrólitos e vitaminas (hidratação). A ração deve ser a Ração Inicial (ou de Crescimento), que possui alto teor de proteína (20% a 22%) e é geralmente farelada ou em migalhas. Ela deve ser distribuída em comedouros rasos de fácil acesso.
Crescimento e Desenvolvimento (4 a 20 semanas)
Após a quarta semana, as aves já têm penas e conseguem regular melhor a temperatura. O foco passa a ser o desenvolvimento ósseo e muscular para suportar a futura produção de ovos.
Espaço e Densidade
O confinamento inicial deve ser gradualmente expandido. O criador deve garantir o mínimo de 2 a 3 aves por metro quadrado no galpão definitivo, conforme as diretrizes sanitárias. Uma boa ventilação é crucial nesta fase para evitar doenças respiratórias, comuns no clima de transição entre seco e chuvoso de Pentecoste.
Mudança de Ração
Por volta da 6ª a 8ª semana, a ração de alta proteína é substituída pela Ração de Crescimento (ou Recria). Esta ração tem menor teor proteico (cerca de 16%) e menor energia, visando evitar que a ave ganhe peso excessivo e se torne gorda antes da maturidade sexual, o que prejudicaria a postura futura.
Fase 3: Pré-Postura e Produção (A partir de 20 semanas)
Por volta da 20ª semana, as frangas (aves que ainda não puseram) iniciam o processo de postura.
Ração de Postura: O Suporte ao Cálcio
A partir do momento em que 5% das aves começam a pôr ovos, a ração deve ser trocada imediatamente para a Ração de Postura. O elemento mais importante é o cálcio, essencial para a formação da casca dos ovos. Essa ração possui, em média, 16º a 18º de proteína e alto teor de cálcio (cerca de 3,5º).
Ninhos e Coleta

Os ninhos devem ser disponibilizados (em média, 1 ninho para cada 5 a 6 galinhas) e a coleta de ovos deve ser realizada no mínimo três vezes ao dia para garantir a qualidade, evitar quebras e que a galinha desenvolva o hábito de bicar os próprios ovos.
O Secretário Municipal de Agricultura de Pentecoste afirmou à nossa equipe que “o investimento no manejo adequado dos pintinhos se traduz diretamente em mais ovos de qualidade na mesa do cearense e maior lucro para o produtor. Não há economia que justifique falhar nas primeiras semanas de vida da ave.”
Compromisso com a Sanidade e a Produtividade
A criação de galinhas poedeiras exige disciplina e manejo técnico desde o primeiro dia de vida. A atenção à temperatura nas primeiras semanas, a transição correta da ração (de inicial, para crescimento, para postura) e a garantia de espaço adequado são pilares para que os avicultores de Pentecoste transformem os pintinhos comprados em plantéis de alta produtividade. O portal Notícias de Pentecoste continuará acompanhando e fornecendo informações sobre as campanhas de vacinação e sanidade animal na região, essenciais para a saúde das aves.
O Desafio da Mortalidade na Eclosão
A mortalidade de pintinhos na casca é um problema persistente que afeta pequenos e médios produtores rurais em Pentecoste e nas comunidades vizinhas, como Serrote e Ingá. O que fazer? A causa principal deste insucesso, que compromete a rentabilidade das criações de galinhas caipiras e de raça, é o ressecamento da membrana da casca nos últimos dias de incubação. Este fenômeno, intensificado pelo clima quente e de baixa umidade do Ceará, ‘cola’ o pintinho, impedindo-o de sair e levando à exaustão e desidratação. Conforme apurou nossa reportagem junto a técnicos agrícolas, o controle preciso da umidade e da temperatura na fase final é a chave para a reversão.
A Regra de Ouro
A incubação das aves domésticas dura, em média, 21 dias. O período crucial para evitar a morte na casca é a chamada fase final de eclosão, do 19º ao 21º dia.
“Conforme os dados coletados pela nossa equipe na zona rural, a maioria das perdas acontece quando o ovo já está bicado, indicando que o pintinho está vivo, mas preso,” explica um técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), em entrevista a nossa reportagem.
A solução é um ajuste fino no manejo da chocadeira:

Aumento Estratégico da Umidade
Para manter a membrana da casca flexível e facilitar a ruptura pelo pintinho, é imperativo elevar a Umidade Relativa para a faixa de 65% a 75% nos últimos 72 horas. Em equipamentos de incubação caseiros, muito utilizados em Pentecoste, a Ematerce orienta o aumento da área de superfície de água, seja adicionando mais recipientes abertos ou utilizando esponjas úmidas, sempre com água morna para não baixar a temperatura interna.
O Risco de Abrir a Chocadeira
Nesta fase, a temperatura deve ser mantida rigidamente entre 36,8º e 37,2º. Segundo informações verificadas pela Secretaria Municipal de Agricultura de Pentecoste, a principal falha dos criadores é a curiosidade. Abrir a chocadeira para ‘ajudar’ os pintinhos ou simplesmente verificar a eclosão é altamente prejudicial. A entrada de ar seco do ambiente externo do Ceará resseca a membrana em segundos, selando o destino do pintinho.
Garantindo Oxigênio na Casca
Outro ponto vital é a ventilação adequada. O pintinho, ao bicar a casca, começa a respirar o ar da câmara interna. É fundamental que haja uma boa e constante troca de ar para fornecer o oxigênio (O2) ) necessário e remover o dióxido de carbono (CO2) produzido pela respiração, evitando a asfixia. É crucial garantir o fluxo sem, contudo, criar correntes de ar fortes que possam resfriar os ovos ou ressecar a membrana.
Informação Gera Renda no Campo
O controle de umidade e temperatura na fase final da incubação deixa de ser uma dica e passa a ser uma diretriz técnica essencial para a avicultura local. O conhecimento correto, como o foco no aumento da UR para 65-75% nos últimos três dias, tem potencial de elevar a taxa de sucesso de eclosão de 40% para até 80-90% em algumas propriedades rurais, conforme projeções da Ematerce. A próxima etapa para o portal Notícias de Pentecoste é acompanhar a implementação dessas técnicas em comunidades como Lagoa de Dentro e Sede para verificar o impacto direto na renda das famílias.



Quero aprender a criação de galinhas poedeiras
Super fácil, so seguir o passo a passo da matéria