MONOFOBIA: UMA DOENÇA MODERNA?

Não seja um ultrapassado. Mas se possibilite pelo menos a uma avaliação, quando o questionamento for o mundo moderno de hoje e os sites criados para vôos imaginários obstantes às necessidades de cada um. Meu pai talvez nunca se acostumasse com essa ideia de em vez da conversa franca olhando olho no olho a conversa dedo no dedo olhando a tecla do computador ou celular. Mesmo que esse mundo online não precisasse a distancia e estivessem todos no mesmo ciclo. Porque diante deste estado mórbido operacional nunca se possa saber se para esse avanço exista limites. É que casos corriqueiros se aproximam sempre que paramos para observar o nosso dia a dia.
No meu caso, já presenciei muitas vezes: e o mais recente foi em um domingo fagueiro, desses qualquer, em um belo momento de lazer, estavam os cincos tomando cervejas e quando me dei de conta estava sozinho, os demais invadiam um mundo que não era o meu. Meios indiferentes, mas “tão perto de nós.” Estavam todos conectados. Sem falar que no ambiente a musica estridente invadia os nossos tímpanos e o tira-gosto aguçava o olfato dos famintos. Mas ainda estaríamos mudos se não fosse aquele agravante: o ciúme desenfreado da esposa de um dos colegas, que por não alcançar o seu bate-papo ignora um dos seus compartilhamentos e avança ao seu celular. O resto o cronista ficou impedido de publicar porque a arte de ouvir se torna mais salutar.
E você, caro leitor, já viveu momentos como esse? Interagem ou não com o pensamento do cronista? Porque um montante de acontecimentos assim ofusca e difusa qualquer aplicação. Do sofá da sala a mãe avisa a filha que ainda está no quarto de dormir que o café está na mesa. E adverte ao filho adolescente sobre o seu horário de ir à escola, e ainda pede para que o mesmo lhe traga um cafezinho usando apenas a pagina do Facebook. Sem falar que todo esse mundo paralelo de conversas acontece em um cômodo de uns dez metros quadrados, sem que tire os dedos do teclado e tenha aquela conversa olho no olho. 
Queira ou não, aqui ficam alguns questionamentos. E que tudo isso possa até ser uma necessidade, mas também não deixa de ser um exagero e tanto, por parte de um pequeno grupo intrigado com os costumes do passado… 
-Quem é? 
Desconfiado com a situação, o marido faz menção a sua esposa que conversa por mais de duas horas em um desses aplicativos de relacionamento:
– Estava falando com o pároco, querido, queria marcar o nosso casamento e aproveitei para me confessar. 
-Isso é o fim do mundo, querida, você não podia usar o confessionário de modo mais real? E quem te falou que quero casar com você? E logo agora com essas suas manias de rede todos os dias!
-Amor, deixe de ser cafona, a rede é pra isso mesmo, para facilitar o dia-a-dia das pessoas. E se você não quer casar comigo, outros querem; no mundo dos internautas é o que não falta.
Foram essas as palavras que surgiram como uma onda na tela do seu celular! E de ímpeto pela a insistência da companheira o marido só adverte em letras garrafais. 
-Tudo bem. Se for assim, amor, me aguarde que eu vou sair e enviarei o seu almoço via mensagem!… 
Foi uma boa saída para ambos que já não mais se encontravam entre o mundo real e o fictício. Horas depois, uma postagem simultânea de uma mesa de bar desce ao celular da esposa. E o cenário super agradável abre o leque para dezenas de latinhas de cervejas. Que ao comentar, a esposa se emociona!
– Amorrrrr quando você voltar eu te matuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu… E olhe, se eu não quebre o celular na sua cabeça!
– Amorrrrr se eu ainda voltasse você não tinha nenhum direito de fazer isso! Porque nesse mundo interligado monofobia é uma doença moderna.
Gonzaga Barbosa, em a crônica do mês.
31/10/15

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima