OUTUBRO ROSA: Fios de Silvana

De alta, Silvana Matos conta como atravessou o tratamento contra o câncer sem cabelo e com fé
CAMILA DE ALMEIDA / ESPECIAL PARA O POVO
Silvana Matos: paciente não usou peruca, mas reforça importância do acessório que agora é confeccionado por projetos sociais
AUTOESTIMA COLABORA NO TRATAMENTO DO CÂNCER–>–>
Antes era liso, quase “batendo na cintura”. Agora é enrolado, bem curtinho. “É diferente, tudo novo”. Há exata uma semana, a cozinheira Silvana Matos ganhou alta do tratamento com o mastologista. Enquanto o cabelo cresce como indício de recomeço, ela comemora o “milagre”, mas diz não esquecer a doença e o tratamento que muitas mulheres enfrentam neste momento.
Além da náusea, do medo, da violenta quimioterapia e de tudo mais o que o câncer de mama traz, há também o confronto, muitas vezes doloroso, da mulher com sua vaidade. Quando ficou “carequinha”, como ela mesma diz, Silvana não usou peruca. Acabou “se assumindo” e, muitas vezes, até se esquecendo de aderir à moda dos lenços coloridos.
Ela destaca, no entanto, a importância da peruca para muitas das amigas que fez durante o tratamento. O acessório custa, em média, R$ 3.500. Um preço alto a se pagar por quem já tem tantos outros problemas a enfrentar. “A gente não pode se retrair porque o cabelo está caindo. É difícil, mas digo: não se esconda, apareça!”, aconselha.
Na primeira queda, Silvana quis logo despir-se totalmente dos cabelos. “Corta. Pode raspar”, disse. A cabeleireira intercedeu, pediu pra cortar “chanelzinho”. Ela aceitou, mas só por um tempo. Logo cortou e atravessou os seis meses de quimioterapia sem cabelo e com fé.
Na falta de peruca, Silvana investiu na graça e descobriu que “alegria de doente”, muitas vezes, incomoda. “Chegava gente na minha casa tentando me dar força e eu tirava uma brincadeira com a minha careca e eles diziam que não sabiam como eu aguentava fazer piada doente”, conta.
Ela não desanimou e encontrou no riso um escape para a dor daquele momento. Quando o filho e os sobrinhos rasparam o cabelo em homenagem à Silvana, ela brincava: “não adianta, eu estou ganhando de vocês, continuo sendo a mais careca”, conta, explicando que o cabelo dos familiares logo crescia.
Na explosão de sentimentos vindos com a doença, um não teve espaço: “Vergonha? Eu tenho mesmo é orgulho do que vivi”.
Fio a FioApesar de não precisar mais de peruca, Silvana diz torcer por projetos sociais que lutam pela valorização da autoestima de mulheres em tratamento. Um deles é o Fio a Fio, que foi lançado em agosto e ainda está em fase de arrecadação de doações. Entre outras ações de cunho social, o projeto visa captar perucas confeccionadas com cabelo de verdade e cedê-las a um grupo de 20 mulheres que têm a doença e estão em tratamento no Instituto do Câncer do Ceará (ICC).
“Quando estão com autoestima fortalecida, essas mulheres têm respostas mais positivas ao tratamento”, afirma Dorinha Madeira, gerente de inclusão e tecnologia social do Senac, que realiza o projeto.
Além da doação de perucas, o próximo passo do Fio a Fio é formar peruqueiras, cujo curso ainda não existe em Fortaleza. A primeira turma, que inicia em 2015, é formada justamente por aquelas que viveram e venceram o câncer de mama.
SERVIÇO
As doações para o projeto Fio a Fio podem ser agendadas pelos telefones: (85)32705428/5415.
O Povo

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