A Polícia Federal decidiu abrir inquérito para investigar a denúncia de tráfico de influência na Casa Civil envolvendo Israel Guerra, filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra. Segundo o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a ministra não será investigada porque, segundo ele, Erenice “não está diretamente envolvida nos fatos”. Como ministra, ela só poderia ser investigada com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro disse que a PF vai investigar se o filho de Erenice praticou tráfico de influência ao fazer lobby, em troca de uma “taxa de sucesso”, para uma empresa aérea obter contrato com os Correios. A denúncia foi publicada no último fim de semana pela revista Veja. O envolvimento da ministra no caso também será apurado pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
Por meio de nota oficial (veja a íntegra abaixo), Erenice voltou a rebater hoje (14) as denúncias da revista. No comunicado, a ministra alega estar sendo vítima de uma campanha difamatória.
“Chamo a atenção do Brasil para a impressionante e indisfarçável campanha de difamação que se inicia contra minha pessoa, minha vida e minha família, sem nada poupar, apenas em favor de um candidato aético e já derrotado, em tentativa desesperada da criação de um ‘fato novo’ que anime aqueles a quem o povo brasileiro tem rejeitado”, disse a chefe da Casa Civil, sem citar o nome do adversário tucano, José Serra.
A ministra afirma ter encaminhado aos ministros da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, e da Justiça, Luiz Paulo Barreto, pedidos para a abertura de investigações sobre as acusações publicadas pela revista. Segundo a reportagem, o filho de Erenice, Israel Guerra, intermediou a renovação de contratos milionários para empresas em troca de propina após a confirmação dos negócios.
A ministra classificou as acusações de “mentiras” e disse esperar celeridade nas apurações e confiar na competência das autoridades. Segundo ela, a reportagem é a “mais desmentida e desmoralizada das matérias publicadas ao longo da história da imprensa brasileira”.
A nota alega que a reportagem divulgada pela revista faltou com o compromisso ético jornalístico. “Lamento, sinceramente, que por conta da exploração político-eleitoral, mais que distorcer ou inventar fatos, se invista contra a honra alheia sem o menor pudor, sem qualquer respeito humano ou, no mínimo, com a total ausência de qualquer critério profissional ou ética jornalística”, escreveu.
Hoje pela manhã, o presidente Lula se reuniu com ministros para discutir o assunto e a violação de dados sigilos da Receita Federal. Também nesta terça-feira, o DEM pediu que a Procuradoria-Geral da República apure as denúncias contra a ministra da Casa Civil.