Protesto fecha BR-020 e pede melhor gerenciamento da água

Em manifestação contra os efeitos da seca, membros da Região Episcopal Sertão São Francisco das Chagas paralisaram a BR-020, que dá acesso a Canindé, na manhã de ontem. Protesto causou engarrafamento na rodovia
Protesto contou com aproximadamente 100 pessoas que fecharam a BR-020 causando congestionamento na rodovia
O gerenciamento da escassez de água em comunidades do Sertão Central cearense foi motivo de manifestação na manhã de ontem, na localidade de Santa Fé. Durante trinta minutos, membros de seis paróquias da Região Episcopal Sertão São Francisco das Chagas fecharam os dois sentidos da BR-020, à altura da entrada para a cidade de Paramoti (a 104,1 km da Capital). A rodovia dá acesso a Canindé e teve dois quilômetros de congestionamento em virtude da interdição, iniciada às 9 horas. O protesto teve faixas, cartazes, momentos de oração e discursos. A ação foi acompanhada por três viaturas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e uma viatura do Ronda do Quarteirão de Canindé.
O protesto contou com aproximadamente 100 pessoas e chamou atenção para as dificuldades vividas em decorrência da seca nos municípios de Canindé, Caridade, Pentecoste, Tejuçuoca, Paramoti e Maranguape. “Se a gente chama as autoridades, elas passam um retrato de que a situação está sob controle, mas o povo disputa um balde de água por dia”, alerta Fábio Soares, um dos organizadores da manifestação. Moradores de Paramoti reclamavam de uma semana sem abastecimento. Manifestantes pediram mais ações efetivas, como a recuperação de açudes ainda prejudicados pelas chuvas fortes de 2009, segundo Fábio Soares.
O agricultor Francisco Oliveira Mendes, 54, enfrenta problemas da falta de água no assentamento Sousa, no município de Canindé. Duas vezes ao dia, a solução é buscar água em uma cacimba a dez metros de profundidade. Mas o esforço não é suficiente. Desde o início do ano, o gado teve redução de 150 para 65 animais. “Tive que vender quase de graça. A pastagem para alimentar o gado morreu”, lamenta. Também foram prejudicadas as plantações de milho e feijão, que ajudavam a sustentar a família de dez membros. A voz embargada carrega a preocupação com o futuro. “Estamos vivendo com quase 400 reais por mês, não aparece serviço. A gente segue vivendo de migalhas.”
Paroquianos, padres, agentes de pastorais e setores da juventude compareceram ao protesto. Para o padre Ailton Costa e Silva, pároco da localidade de Campos Belos (Caridade), a importância na promoção de protestos é exercer uma religião consciente. “A fé não é apenas vivida de forma pessoal, é também um ato conjunto e de compromisso com as causas do povo”, defende. Do acompanhamento nas comunidades, o pároco relata situações de descaso com o sofrimento das pessoas. “São grandes famílias dependendo de apenas um carro-pipa para passar 15 dias ou mais”, denuncia.
ENTENDA A NOTÍCIA
Católicos de seis paróquias participaram da manifestação organizada pela Região Episcopal Sertão São Francisco das Chagas. A falta d´água na região foi um dos motivos que levaram ao protesto de ontem.
Serviço
Secretaria da Região Episcopal São Francisco das ChagasOnde: Rua José Firmo de Aguiar, 340 – Paramoti. 
Telefone: (85) 3320.1258

Fonte: O Povo

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