Por: Zé da Legnas
Publicado em: 03 de janeiro de 2026

O reajuste de 0,37% no piso salarial nacional do magistério anunciado pelo Governo Federal para 2026 provocou forte reação entre sindicatos e profissionais da educação em todo o país. O percentual, considerado muito abaixo da inflação, foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União no fim de dezembro de 2025.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) classificou o índice como “insuficiente e desrespeitoso”, além de cobrar uma ação urgente do Ministério da Educação (MEC) para revisar o cálculo. Segundo a entidade, o reajuste não recompõe perdas salariais e não representa valorização da carreira docente.
Além disso, a CNTE destacou que o modelo atual de correção, baseado no Valor Anual por Aluno do Fundeb (VAAF), precisa ser revisto para garantir reajustes que reflitam o custo de vida real dos professores brasileiros. Dessa forma, a confederação defende uma mudança estrutural na política de valorização do magistério.
Sindicatos estaduais também reagem

Por outro lado, a Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) foi uma das primeiras a se manifestar após o anúncio. A presidente da entidade declarou que o reajuste “não trará ganho real e mantém os docentes em situação de perda salarial contínua”.
Enquanto isso, outros sindicatos estaduais seguem a mesma linha de crítica. Para eles, manter o índice atual representa um retrocesso nas políticas de valorização dos profissionais da educação, conquistadas com muita luta desde a criação do piso em 2008.

Consequentemente, cresce a pressão sobre o MEC para que reveja a forma de cálculo ainda no início de 2026.
MEC negocia nova fórmula de cálculo
Diante da repercussão negativa, o Ministério da Educação informou que está negociando uma nova fórmula para calcular o piso salarial dos professores. A proposta busca incluir a inflação medida pelo INPC, além de outros indicadores econômicos que tornem o reajuste mais justo e previsível.
No entanto, as discussões têm enfrentado resistências tanto de entidades representativas quanto de gestores estaduais e municipais, que alegam dificuldades orçamentárias. Ainda assim, o ministro da Educação destacou que o objetivo é chegar a um consenso que equilibre valorização docente e responsabilidade fiscal.
Assim, o governo pretende criar um modelo que evite distorções e garanta maior estabilidade no planejamento orçamentário.
Impacto para estados e municípios
Com o reajuste mínimo confirmado, governos estaduais e prefeituras terão de adaptar seus orçamentos ao novo valor base. Mesmo sendo um aumento pequeno, o impacto nas folhas de pagamento é significativo para redes municipais com grande número de professores.
Além disso, especialistas alertam que a falta de valorização salarial pode agravar o déficit de professores, reduzir a atratividade da carreira e comprometer a qualidade da educação pública. Portanto, o debate sobre o piso vai além da questão financeira: trata-se também de uma política estratégica para o futuro da educação.
Expectativa da categoria
Por fim, as entidades representativas esperam que o MEC revise o índice ainda no primeiro trimestre de 2026 e estabeleça um modelo que garanta recomposição inflacionária e ganho real.
Dessa forma, a categoria acredita que valorização não é gasto, é investimento no futuro do país, e que o reconhecimento profissional é essencial para melhorar os índices educacionais e fortalecer o ensino público.