Resultados do Enamed 2025 preocupam Ministério da Educação

O Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, que analisa o desempenho dos cursos de Medicina em todo o Brasil.
O levantamento revelou que aproximadamente um terço das faculdades avaliadas teve desempenho considerado insatisfatório, o que levou o MEC a adotar medidas de supervisão mais rígidas.

O Enamed é aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e avalia o conhecimento clínico e teórico dos estudantes concluintes. O exame se tornou uma ferramenta essencial para avaliar a qualidade da formação médica e orientar políticas públicas de educação superior.

O exame, aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), tem como objetivo avaliar as competências clínicas e teóricas dos estudantes concluintes. O Enamed é parte de um esforço nacional para garantir a qualidade do ensino médico e aprimorar a atuação dos profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS).


Desempenho das instituições e panorama nacional

Dos 351 cursos de Medicina avaliados em todo o Brasil, 99 receberam notas 1 ou 2, consideradas insatisfatórias. A maioria, entretanto, ficou entre os níveis 3 e 5, o que representa desempenho satisfatório ou acima da média.

Mais de 90 cursos obtiveram notas 1 e 2

De acordo com o MEC, dos 351 cursos avaliados, 99 receberam notas entre 1 e 2, o que indica baixo desempenho. Já 243 instituições alcançaram notas satisfatórias, variando entre 3 e 5 na escala de avaliação.

As universidades públicas, especialmente as federais e estaduais, mantiveram boas médias, enquanto a maioria dos cursos mal avaliados pertence a instituições privadas com fins lucrativos.

Segundo levantamento da Gazeta do Povo, a concentração de notas baixas é mais evidente em instituições recém-criadas e localizadas em cidades de médio porte.


Medidas de supervisão e ações do MEC

Diante dos resultados, o MEC anunciou medidas de supervisão para as instituições com notas 1 e 2. Entre as ações previstas estão:

  • Suspensão da abertura de novas vagas;
  • Redução do número de alunos ingressantes;
  • Restrição a programas federais de financiamento, como o FIES e o Prouni.

O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que as medidas visam corrigir deficiências estruturais e pedagógicas, e não apenas punir as instituições. Segundo ele, o objetivo é garantir uma formação médica de qualidade e proteger o direito da população a um atendimento profissional e humanizado.

Outras instituições com baixo desempenho incluem cursos da Anhembi Morumbi, Estácio de Sá e UNIGRANRIO, além do curso de Medicina de Piracicaba (SP), que também recebeu nota baixa, conforme noticiado pelo G1.


Impactos e próximos passos

O Enamed faz parte de uma política mais ampla de avaliação da formação médica. A iniciativa deve servir de base para o Exame Nacional de Proficiência Médica (Profimed), previsto para os próximos anos. O Profimed funcionará como uma “OAB da Medicina”, exigindo que os formados comprovem domínio técnico e prático antes de exercer a profissão.

Especialistas avaliam que o Enamed representa um avanço importante no controle da qualidade do ensino médico, mas alertam que os resultados negativos refletem o rápido crescimento de cursos no país, muitas vezes sem infraestrutura adequada ou corpo docente qualificado.

MEC anuncia medidas de supervisão

Após a divulgação dos resultados, o MEC informou que as instituições com desempenho abaixo do esperado serão submetidas a processos de supervisão e monitoramento. Entre as ações estão:

  • Suspensão de novas vagas;
  • Redução de matrículas;
  • Restrições ao FIES e ao Prouni.

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou ao portal Brasil de Fato que o objetivo é “garantir que os cursos ofereçam qualidade mínima e preparo real para o exercício da medicina”.

Grupo Afya lidera entre as instituições com notas baixas

Entre as redes privadas, o Grupo Afya aparece com o maior número de cursos com notas insatisfatórias. Diversas unidades da empresa ficaram abaixo do padrão mínimo de proficiência exigido pelo MEC, segundo matéria da Folha de S.Paulo.

Perspectivas e impacto para o ensino médico

O Enamed 2025 também prepara o caminho para o Exame Nacional de Proficiência Médica (Profimed), projeto que visa testar o conhecimento dos formados antes de permitir o exercício da profissão — modelo semelhante à prova da OAB para advogados.

Especialistas da Sociedade Brasileira de Educação Médica (ABEM) defendem que a iniciativa ajuda a fortalecer a credibilidade da formação médica, mas alertam que é preciso investir mais em estrutura e corpo docente, especialmente nas instituições do interior.

Conclusão

O Enamed 2025 mostrou avanços no controle da qualidade do ensino médico, mas também revelou deficiências estruturais em dezenas de instituições. O Ministério da Educação promete rigor na supervisão e incentivo à melhoria dos cursos, para garantir que o país forme médicos capacitados e preparados para atuar com segurança no Sistema Único de Saúde.

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