Os habitantes dos distritos do município de Antonina do Norte vivem sob condições de continuado estado de calamidade pública desde 2008. O rigor sem precedentes da seca verde que vitima muitos cearenses pode ser percebido na declaração da trabalhadora rural Rosa Pereira de Almeida, 84 anos, residente no sítio Macambira: ”Não agüentamos mais passar fome. Em toda a minha vida nunca vi uma seca tão drástica.”
Antonina do Norte encravada na região Sudeste do Ceará, microrregião de Várzea Alegre, situada a 512 km de Fortaleza, é banhado pelo Rio Conceição onde, no seu leito, existiam poços e açudes de pequeno porte, sendo o principal açude o do Coronel, localizado no sítio Logradouro, cuja principal finalidade era abastecer um distrito e a sede do município. Todos secaram. O que resta é um pouco de água barrenta e uma grande área de terra esturricada pela seca inclemente.
O prefeito Edson Afonso de Carvalho concorda que a situação é de extrema gravidade. Corroborando as declarações da trabalhadora rural, vai além e denuncia: “Estamos com as mãos na cabeça, porque hoje, o município só dispõe de um carro pipa para abastecer toda zona rural. Pedimos a Defesa Civil do Estado mais veículos, porém até agora não fomos atendidos. Tem pessoas morrendo de sede, e não temos mais condições de abastecer as famílias necessitadas. Os açudes estão acabando de secar.
O único carro pipa trabalha até a meia noite. Quando coloca a água em uma cisterna, as pessoas dividem a pouca água e ainda ficam com sede. Necessitamos de mais uns três carros pipas, para abastecer os sítios Serra dos Almeidas, Macambira, Várzea Nova, Espírito Santo, Pedra da Cruz, Cachoeira, São João, São Pedro”.
O Estado