O Natal não é do “Papai Noel”, de “Santa Claus” ou de Maria; não é a festa do comércio – muito embora seja o que prevalece – e não tem por objetivo se dar ou ganhar presentes.
Deixando de lado as considerações históricas absolutamente irrelevantes, devemos sair de todas as polêmicas periféricas que envolvem tal “festa” (como acusação de ter origem pagã depois cristianizada) e considerar o sentido maior para o qual aponta o referido evento.
Encanta-me o contexto do nascimento de Jesus e as lições contidas em cada relato que a Escritura fornece.
Escreveria vários livros se me fosse dada a condição de fazê-lo e jamais faltaria material para ser avaliado, ensinamentos a serem aprendidos e visões a ser reveladas!
Os magos, os pastores, Herodes, os escribas, os rebanhos, os anjos, a estrela, as canções cantadas, a estrebaria, as circunstâncias, José e Maria…
Ah Maria!
Como é difícil para um pastor evangélico, decantar os valores e encantos na pessoa daquela jovem Bendita entre as mulheres, sem correr o risco de ser tachado de idólatra ou instigador de desvios doutrinários.
Mas me convém ser ousado e justo a bem da verdade.
Que terrível peso aquela jovem (talvez 14 ou 15 anos de idade) teve de suportar!
Que estrutura emocional e espiritual tão magnífica, ao ponto de carregar em seus ombros todas as pressões, tensões, incertezas, riscos e dores que aquela missão acarretaria.
Que caráter extraordinário nela foi achado, para ser feita uma espécie de Arca da Aliança viva, transportando aquela presença!
Como disse John Donne: “O infinito enclausurado naquele pequeno ventre”!
Quantas virtudes se poderiam enumerar em figura tão sublime?
Que tal a disponibilidade?
Cumpra-se em mim a sua vontade.
A entrega total?
Eis aqui a serva do Senhor.
A humildade?
“Ele atentou na baixeza da sua serva”.
O desejo de conhecer os mistérios divinos: “Como pode ser isso”?
A virtude do silêncio, da discrição: “Ela guardava todas essas coisas em seu coração”!
O despojamento…
Sabia que o sonho de seu casamento poderia ser completamente destruído, por não poder explicar o que lhe sucedera.
A virtude de se dispor a correr riscos por sua Fé: apedrejamento era a expectativa!
Maria do “Sim”.
Talvez neste Natal devêssemos rever profundamente o sentido de nosso chamamento, a nossa disponibilidade para Deus, a dimensão de comprometimento com as Causas que abraçamos, o preço que estaremos dispostos a pagar, e até que ponto estamos dispostos a ir, pela Fé que professamos.
O Natal é de Jesus, e a própria virgem Maria sempre demonstrou entender isso, quando a encontramos tantas vezes escondida no meio da multidão sem rosto.
Mas nesse Natal em especial, desejo agradecer a Deus pelo grande presente que são todas as mães, e rogar a Ele que as mulheres não desprezem o dom da maternidade, lembrando de Maria, que vivendo em dias tão difíceis, em um contexto tão incerto e sob circunstâncias tão duras, jamais “abortou Jesus”!
Salve Maria!
Darckson Lira.
