“Se Prostituindo”: A Crítica de Zezé Di Camargo

Decisão de Manter Especial de Natal de Zezé Di Camargo Sela Divisão, Enquanto Flávio Bolsonaro Contraria Boicote do Sertanejo.

A recente inauguração do canal SBT News desencadeou uma das maiores crises recentes nos bastidores da televisão brasileira, misturando política, entretenimento e um racha na família Abravanel. O epicentro da discórdia é o cantor Zezé Di Camargo, que, após a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Ministro Alexandre de Moraes no evento de lançamento, detonou a direção da emissora em suas redes sociais.

O sertanejo, conhecido por seu alinhamento com a direita, não poupou críticas, acusando a nova gestão do canal — encabeçada pelas filhas do fundador Silvio Santos — de se desviar dos valores paternos e de “se prostituir” ao abrir espaço para o atual governo. Em um ato drástico, Zezé exigiu o cancelamento de seu especial de Natal, já gravado, alegando que não queria “decepcionar as pessoas que pensam diferente” e que se sentia desassociado da linha ideológica vigente na casa.

“Amo vocês, amo o SBT, tenho o maior carinho, mas acho que vocês estão, desculpem, se prostituindo. Não faço parte disso,” declarou o artista em vídeo, pedindo a retirada do seu programa da grade do dia 17.

O Troco da Emissora e a Defesa da Imparcialidade

A resposta do SBT veio em duas frentes: institucional e prática.

A presidente Daniela Abravanel Beyruti assinou uma carta aberta que, sem citar Zezé, defendeu o projeto jornalístico. A executiva assegurou que o novo canal segue uma linha de isenção, pluralidade e imparcialidade, reiterando que a presença de autoridades do Executivo e do Judiciário no lançamento refletiu o respeito a todas as instituições. A decisão final, contudo, foi inflexível: o SBT irá manter o especial de Natal de Zezé Di Camargo no ar, priorizando os compromissos comerciais e ignorando o pedido de boicote do próprio protagonista.

Bolsonaro no Palco, Janja no Twitter

A celeuma rapidamente saiu do campo do entretenimento para o da política nacional. A Primeira-Dama, Janja da Silva, interveio, criticando a linguagem de Zezé. Ao rebater o termo “prostituindo” usado para atacar as filhas de Silvio Santos, Janja levantou a bandeira contra o que considerou uma postura machista e misógina por parte do cantor.

No campo da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) expressou solidariedade a Zezé, afirmando inspirar-se em sua coragem. Entretanto, Flávio escolheu um caminho divergente: aceitou o convite para ser entrevistado no Programa do Ratinho, no SBT, justamente na noite em que a crise atingia o seu auge. O senador justificou sua ida como um gesto de respeito à memória de Silvio Santos e ao apresentador Ratinho, defendendo a necessidade de “dar o exemplo” ao não aderir ao boicote sugerido por Zezé.

A manutenção do especial de Natal, por parte do SBT, demonstra uma postura de firmeza na tentativa de preservar sua recém-anunciada linha editorial e seus contratos comerciais, transformando o “especial de Natal” mais aguardado do ano em um símbolo de tensão entre o canal e um de seus maiores artistas. O episódio reforça a polarização que continua a redefinir as relações entre artistas, emissoras e o poder público no Brasil.

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