5 erros causaram queda de ponte da Raul Barbosa

Um dia após laudo da Prefeitura, o Conselho apresenta documento com nova análise do projeto da obra
Acidente ocorreu em fevereiro, mas obras foram retomadas. Estrutura faz parte do corredor que ligará a Parangaba ao Papicu ( FOTO: FERNANDA SIEBRA )
O laudo técnico sobre o acidente com a estrutura da ponte na Av. Raul Barbosa, emitido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Ceará (Crea-CE), apontou cinco falhas no projeto da obra de concretagem que foram determinantes para ocasionar o acidente. O relatório foi divulgado um dia após a apresentação do laudo da perícia da Secretaria de Infraestrutura (Seinf), que havia apontado uma falha no projeto.
A Prefeitura cita como a causa do acidente, que vitimou dois operários e deixou sete feridos, uma deficiência no projeto da obra de cimbramento, resultando em problemas de montagem das escoras e a existência de desvios indevidos em uma área que estava sendo concretada.
Já o presidente do Crea-CE, Victor Frota, cita no documento elaborado por uma comissão de engenheiros da instituição, que foram diagnosticados cinco erros do projeto naquele trecho. “Quando estava com um pouco mais da metade do peso do concreto o escoramento não aguentou. Nosso trabalho foi explicar e desvendar o motivo de não ter sustentado”, relata.
Conforme o documento da comissão do Crea, foi avaliado que a obra apresentou deficiência na concepção de projeto; inconsistência no projeto; deficiência no fornecimento de peças; deficiências na montagem e deficiência de documentação administrativa emitida pelas empresas.
Trecho
Segundo Victor Frota, a empresa subcontratada para realizar o escoramento do trecho da obra que desabou foi multada e notificada em dezembro de 2015 devido à falta de uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). O documento estabelece que os contratos referentes à execução de serviços ou obras de Engenharia, Agronomia, Geologia, Geografia ou Meteorologia deverão ser objeto de anotação no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia.
Nas 43 páginas do laudo do Crea-CE, os profissionais citam uma série de problemas. O documento explica que “o projeto de cimbramento com seus apoios verticais apresenta inconsistência por conter partes divergentes da situação real da montagem”. Os desenhos presentes no projeto não correspondiam ao conjuntos de armações montadas na obra. O documento aponta que as treliças, um tipo de estrutura utilizada para dar maior resistência e apoio a estruturas de construção, não suportaram a carga das ferragens. “Entendemos que ocorre uma ineficiência destes travamentos necessários face às cargas impostas ao conjunto de treliças metálicas”, conclui.
A análise técnica apresentada informa ainda que o Projeto de Cimbramento com seus apoios verticais referido no documento técnico de responsabilidade da empresa locadora dos equipamentos, foi assinado em nome de um engenheiro de produção mecânica, mas sem habilitação para assinar a ART.
O Crea-CE solicitou do laboratório de Soldas do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) uma análise técnica no poste de união – peça que tem a função estrutural de promover sustentação das demais instalações que diagnosticou a má qualidade do serviço.
A instituição de engenharia conclui o laudo pontuando a falta de orientação, supervisão e o não cumprimento de algumas Normas Brasileira (NBRs) adotadas nos serviços de engenharia. O presidente informou ainda que os laudos técnicos do Crea e da Seinf serão anexados ao inquérito da Polícia Civil. O delegado responsável pelo caso, Silas Munguba, disse que os documentos serão utilizados, mas a investigação será embasada no laudo da Perícia Forense.
A Seinf informou que não foram constatados problemas de projeto e de execução referentes às estruturas de concreto armado já concluídas nem àquelas a serem executadas. Conforme a nota, não é prerrogativa, tampouco competência da comissão, a atribuição direta de responsabilidades pelo evento, cabendo isso aos respectivos órgãos competentes.
Desabamento
O acidente aconteceu no dia 22 de fevereiro, quando parte da estrutura da ponte que estava sendo construída sobre o Canal do Lagamar veio abaixo. A estrutura faz parte das intervenções para consolidar o corredor de transporte coletivo que ligará os bairros Parangaba e Papicu e consiste, ainda, na implantação de dois viadutos e uma rotatória.
A Construtora Ferreira Guedes, que também é responsável pela subcontratação da SH Formas Andaimes e Escoramentos LTDA, foi contatada, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta edição. A SH foi procurada, mas as ligações não foram atendidas.
Diário do Nordeste

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