No fim de semana, a cidade de Pedra Branca (261 km de Fortaleza) viu sumir das farmácias o estoque de máscaras cirúrgicas.
O motivo foi a confirmação, na sexta-feira, de 11 casos de gripe A (H1N1) no município de 41.890 habitantes –que nunca tinha registrado ocorrências da doença.
O aumento nas notificações de casos suspeitos assustou a população. Até quarta-feira, eram 91 notificações. Nesta segunda (28), 281 casos já haviam sido notificados, segundo o município.
“A população entrou em pânico”, disse a secretária de Saúde do município, Tânia Parente. Segundo ela, as máscaras são indicadas para quem tem sintomas da doença, e não para todos.
Uma das adeptas da máscara é a aposentada Maria de Melo, 80. Alérgica a vacinas, ela não foi imunizada contra a gripe, e por isso sua família queria que ela deixasse a cidade após o aparecimento dos casos.
Ela não aceitou, mas diz estar tomando medidas de prevenção. “Eu também evito sair na rua, beijar e abraçar as pessoas.”
O primeiro paciente que apresentou sintomas da doença no município, no dia 18, foi um professor do Colégio Agrícola que teve contato com uma pessoa que havia estado em São Paulo.
Segundo a secretária, muitas pessoas de Pedra Branca trabalham na colheita de cana em São Paulo e voltam ao Ceará em novembro.
Na escola, mais de 50 alunos apresentaram sintomas da doença. Os 11 pacientes que tiveram o diagnóstico confirmado passam bem.
Os alunos têm entre 15 e 20 anos, faixa etária que não recebe vacinas contra a doença. Mas agora, segundo a secretária, pessoas de outras faixas etárias também estão apresentando sintomas.
O município, que vacinou 17 mil moradores este ano, tentava ontem conseguir mais doses da vacina.
O Ministério da Saúde disse que não é preciso vacinar neste caso, mas medicar a população com sintomas e adotar medidas de prevenção.
Segundo o ministério, foram confirmados neste ano no Brasil 133 casos da doença. Quinze pessoas morreram.