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| O professor ficou com a filha da aluna durante toda a prova (FOTO: Reprodução/WhatsApp) |
A prova era de “Anatomia de cabeça e pescoço”, mas a lição foi de empatia. Durante a aplicação de uma prova do curso de Odontologia, em uma turma de 2° semestre, do Centro Universitário Fametro, a filha de uma aluna acordou, e o professor Pedro Rebouças a colocou no braço. Durante toda a avaliação, o professor ficou com a bebê no colo para que a estudante pudesse realizar a prova. O caso foi registrado por outro aluno e repercutiu em uma página de internet. A foto do professor com o bebê já alcançou quase 50 mil curtidas.
Dentista por formação, Pedro é especializado em Odontopediatria e professor do curso de Odontologia na instituição desde 2018. Ele conta que Ana Teresa Campos, mãe da Maria Flor Campos, a bebê de 2 meses, ainda está em regime especial por conta da gravidez, mas foi fazer a prova. Ele relembra que, chegando à sala, ele avisou para Ana: “Fique tranquila, faça sua prova que eu vou ficar com seu bebê”, e assim o fez.
Após mamar, o professor se prontificou a colocar Maria Flor nos braços “para arrotar”, ato comum depois que o bebê se alimenta. “Eu coloquei ela para arrotar e, depois, cuidei dela enquanto a mãe fazia a prova tranquila”. Pedro disse que lembrou da posição que sua filha mais gostava, quando bebê, e ele usou a mesma com Maria Flor. Segundo ele, a bebê não chorou em nenhum momento.
Para Ana Teresa, a admiração pelo professor só aumentou com a atitude. “Ele é um grande ser humano. A atitude marcou meu dia, marcou minha vida”, descreveu. Até o final deste semestre, a estudante levará a filha para as aulas também, pois a licença-maternidade já encerrou, e ela não tem com quem deixá-la, já que Maria Flor necessita de amamentação. Ela explica que sua família e o pai da bebê moram no interior do estado.
O registro, até então novidade para o professor, foi feito pelo vidro da porta, por um aluno que já havia finalizado a avaliação. Pedro destacou que, assim como ele, os colegas também foram empáticos com Ana Teresa e não reclamaram da presença de uma criança na sala de aula durante uma prova.
Licença-maternidade para estudantes
Em 1975, ainda durante o Regime Militar, a lei que permite a licença-maternidade para estudantes foi criada. A medida, nº 6.202, prevê que estudantes grávidas, seja durante a faculdade ou ensino básico, podem estudar pelo regime de exercícios domiciliares, desde que haja a necessidade comprovada por um atestado médico.
“A partir do oitavo mês de gestação e, durante três meses, a estudante em estado de gravidez ficará assistida pelo regime de exercícios domiciliares instituído pelo Decreto-lei número 1.044, 21 de outubro de 1969”, diz o Art. 1° da lei. O período de afastamento pode ser estendido por mais meses, desde que seja necessário, como em uma gravidez de risco.
Fonte: Tribuna do Ceará
