Os 10% mais abastados concentram quase metade da riqueza do Ceará

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No Ceará, os 10% mais ricos concentram 45,7% de todo o valor produzido pelos trabalhadores. Os dados da Síntese de Indicadores Sociais, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são de 2019, mas o cenário no qual minoria privilegiada abarca quase metade da riqueza cearense é antigo. Os números mostram uma rigidez na desigualdade desde 2012. De lá para cá, essa parcela da população se mantém no patamar de 44% do rendimento local.


Algumas quedas foram observadas somente nos anos 2013 (42,8%), 2014 (42%) e 2015 (42,1%). Mas os mais pobres representam somente 0,8% da renda total desde 2016, no Estado. Essa camada também perdeu 16,7% de participação entre 2012 e 2019. Em relação ao ano anterior (2018), houve perdas para todos os estratos sociais, com exceção dos 10% mais ricos, que tiveram crescimento de 3,8%.

O professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e PhD em Desenvolvimento Regional, Lauro Chaves, aponta que o Brasil é um país extremamente desigual. Neste contexto, o Ceará é um dos estados mais assimétricos em aspectos sociais e territoriais, ocasionando uma série de problemas para alcançar o desenvolvimento sustentável e inclusivo.

“Temos os 10% mais ricos concentrando 47% de toda a riqueza. Socialmente, isso gera danos. Economicamente, limita o mercado interno para que as próprias empresas consigam vender mais”, frisa. “A maior parte desses 10% não se considera de classe média. Isso porque quando se compara com qualquer um do seu ciclo de convivência que pertence ao 1% mais rico, não consegue ver o abismo entre sua realidade e entre os 50% e 60% cearenses de menor poder aquisitivo”, enfatiza.

Ele destaca que os efeitos econômicos da pandemia nos mais pobres foram amortecidos pelo auxílio emergencial, inicialmente de R$ 600, que aumentou o rendimento dessa parcela populacional. No Ceará, por exemplo, 40% das pessoas mais pobres sobrevivem com apenas R$ 231 por mês. Quando analisados os 20% com o menor rendimento per capita, cai para R$ 129. Na Capital, os valores sobem para R$ 394 e R$ 254, respectivamente.

Neste cenário, as taxas de pobreza podem reduzir em 2020. Porém, com o fim do recurso e sem a implantação de um programa de renda básica que atinja todo esse contingente de pessoas que foram beneficiadas, somado à taxa recorde de desemprego, o segundo semestre deste ano e início de 2021 podem ter as condições de desigualdade agravadas.

Lauro explica que a disparidade regional tem origem na formação econômica do Estado, que foi concentrada em algumas monoculturas. Mas, também, tem a ver com a diferença de oportunidades. Para reverter essa situação, seria necessária a descentralização da renda na Grande Fortaleza. Os outros pontos são educação de qualidade e infraestrutura que potencialize o desenvolvimento econômico em todo o Estado.

“É preciso uma melhoria no ambiente de negócios e que cada região descubra suas vocações e potencialidades. Assim, os esforços dos agentes públicos e privados podem ser concentrados naquelas principais potencialidades e vocações e não disperso em uma série de grandes atividades“, observa.

O diretor do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), João Mario de França, acredita que a desigualdade irá reduzir no País e no Estado somente quando houver políticas sistemáticas que garantam oportunidades para crianças e jovens de todas as faixas de renda.

“Uma política de educação de qualidade que atenda a todos, certamente, é uma condição indispensável para a reversão deste problema. E, neste sentido, o Ceará está na direção correta”, avalia. “No entanto, os efeitos significativos sobre a desigualdade serão sentidos no médio e longo prazos. Até lá, é indispensável que haja compensações aos mais vulneráveis”, complementa.

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Brasil terá desemprego acima da média

Ainda que os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus sejam sentidos na maior parte do mundo, o Brasil deve fechar o ano com mais desemprego e um endividamento público maior do que a média dos dez países que registraram o maior número de mortos pela doença. Os dados são de um levantamento feito pelo economista Marcel Balassiano, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a partir do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Índice de Gini

Em 2019, o Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita do Ceará foi de 0,561, apresentando aumento em relação a 2012 (0,547), ano inicial da série do indicador, e a 2014 (0,522), menor índice da série. O indicador mede a desigualdade e quanto quanto mais próximo de zero melhor.

Desigualdade racial

A renda das brancas é a maior (R$ 1.427), enquanto a das pardas reduz para R$ 755. Já o rendimento familiar das pretas vai para R$ 771.

Quase 47% da população vivia com até meio salário mínimo

Em 2019, 21,2% da população cearense viviam com até o valor de 1⁄4 de salário
mínimo per capita mensal (cerca de R$ 250) e quase 47% com até 1⁄2 salário mínimo per capita (R$ 499). No Nordeste, quase metade da população tinha até esse último patamar de renda mensal. No outro extremo da distribuição, no Ceará, 2,3% tinham rendimento per capita superior a 5 salários mínimos (R$ 4.990).


O POVO Online

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